Leonor Freitas, Casa Ermelinda de Freitas: ‘Senti menos medo durante a troika do que nesta crise’

A empresária da Casa Ermelinda de Freitas, numa entrevista ao semanário NOVO, recentemente lançado, falou dos desafios da gestão em contexto de pandemia, dos seus impactos no negócio, mas também de futuro, com os olhos postos na nova geração de gestores da família.

A pandemia fez adiar as celebrações do centésimo aniversário da empresa, um caso histórico de sucesso no setor vitivinícola nacional, que já passou por quatro gerações de mulheres.

Por comparação com a última crise financeira, Leonor Freitas diz ter sentido ‘menos medo durante essa crise do que nesta’, pior porque mexe com a saúde das pessoas. ‘Não há hipótese de prevermos nada. enquanto na outra havia, afirma. ‘A nossa grande preocupação foi que cada um dos funcionários fosse um agente de saúde’.

Conta que os primeiros tempos não foram fáceis em termos de vendas. ‘Fomos mais penalizados nos vinhos mais caros, que estão na restauração’, mas faz questão de ‘agradecer ao consumidor que não saiu da Casa Ermelinda Freitas, apenas mudou para vinhos mais económicos.’

Viu a percentagem de exportações cair de 40 para 35% neste período de pandemia, mas o esforço de recuperação está no bom caminho. De espírito sempre combativo, afirma que o negócio tem que se saber ‘adaptar e ir ao encontro do consumidor, que é quem manda. Portugal sempre recebeu muito bem, temos de transmitir isso.’

Sobre sucessão, não esconde o orgulho que tem em poder ver assegurada a continuidade da liderança feminina na família, através da sua filha Joana Freitas, que já envolveu na gestão da empresa. ‘É um exemplo para a sociedade, para outras mulheres verem que não há trabalhos para homens ou para mulheres. Há as pessoas certas nos sítios certos’, afirma Leonor Freitas, que é também membro da Rede Mulher Líder.


Aceda aqui à transcrição integral da entrevista publicada pelo semanário NOVO, em abril/2021.