Sílvia Padinha, Ostras da Culatra: ‘Queremos que os pescadores continuem a viver da pesca, mas em equilíbrio com um ecossistema que é tão rico quanto frágil’

Em entrevista ao jornal Público, a empresária algarvia, produtora de bivalves e presidente da Associação dos Moradores da Ilha da Culatra (AMIC), na ria Formosa, defende uma estratégia de intervenção para a região, que proteja os pescadores e a pesca artesanal local, em plena harmonia com a natureza.

Ficou conhecida por ter travado a investida de produtores de Arcachon, interessados na exploração intensiva de ostras na ilha, aproveitando as condições privilegiadas que o local oferece para a criação destes bivalves com tempos de desenvolvimento bem mais reduzidos.

‘Já que os franceses descobriram que a ria tem excelentes condições para produzir ostras, por que razão não haveríamos nós de produzir essas ostras?’, questionou Sílvia Padinha, que tratou de envolver a rede de produtores locais neste desafio.

‘Esta é uma ilha de pescadores e queremos que estes continuem a viver da pesca – da pesca artesanal local e dos viveiros –, mas em equilíbrio com um ecossistema que é tão rico quanto frágil’, afirma a empresária, que é também membro da Rede Mulher Líder.

‘Hoje, há 25 famílias a produzir ostras na ilha da Culatra, sendo dez projetos geridos por jovens.

A ideia de repartir as concessões por duas áreas de produção (amêijoa-boa e ostra) é hoje responsável pela criação de riqueza, pela manutenção da cultura piscatória e pela manutenção dos equilíbrios ambientais na ilha da Culatra. O que faz falta? A criação de uma marca e educar os portugueses para o consumo de ostras, um bivalve que é bom nutricionalmente e, acima de tudo, bem mais barato do que a amêijoa.’


Aceda aqui à versão integral do artigo publicado pelo jornal Público, em maio/2021: