Novos desafios à internacionalização

Alexandra de Almeida, CEO da Mendes Gonçalves|Paladin, e Sofia Koehler, Vice-Presidente da Colquímica Adhesives, marcaram presença na edição de fevereiro da revista Grande Consumo, para falar dos novos desafios que se colocam aos negócios no período pós-covid.

Com uma forte experiência em mercados internacionais, as empresárias partilham como foi gerir em contexto de incerteza permanente e o esforço constante de adaptação que foi necessário fazer para garantir competitividade às suas empresas.

‘Acredito que estamos a viver o período mais conturbado e desafiante das últimas décadas, muito agravado agora pela situação da Rússia/Ucrânia, que vai ter repercussões globais ainda não calculadas’, afirma Alexandra de Almeida.

Alexandra Almeida, Mendes Gonçalves

Para a CEO da Mendes Gonçalves, empresa do setor alimentar que dá rosto à reconhecida marca Paladin, a pandemia motivou alterações na forma de abordagem aos mercados. ‘Há dois anos que andamos todos a navegar à vista, onde a previsibilidade do negócio e os ‘forecast’ são apenas uma miragem e que deixámos de conseguir fazer com exatidão. Um ‘mindset’ de agilidade, rapidez, foco em soluções e recalcular operações, constantemente, faz parte do nosso dia-a-dia. Existem muitas variáveis a alterar todos os dias, por isso, temos de ter connosco equipas fortes, preparadas e que consigam tomar decisões de qualidade e intempestivas.’ Por outro lado, ‘ por parte dos clientes, assistimos a alteração de políticas de protecionismo de alguns mercados, privilegiando produtores locais, o que nos coloca pressão no sentido de termos produtos relevantes, bem posicionados e competitivos’, reforça ainda a empresária.

Sofia Koehler, Colquímica Adhesives

Para Sofia Koehler, da Colquímica Adhesives, empresa reconhecida internacionalmente pela produção de colas para aplicações industriais diversas, uma das dificuldades com que têm que se debater está ligada à gestão das cadeias de fornecimento de matérias-primas. ‘Existe uma necessidade de conhecer novos ‘players’ que possam garantir a estabilidade das cadeias de abastecimento’, refere a empresária, que assume que as maiores dificuldades sentidas ‘são a instabilidade de preços (a inflação provoca distorções no mercado), a potencial subida das taxas de juro, as disrupções nas cadeias de abastecimento, os problemas logísticos e a volatilidade política em algumas regiões.
O que a pandemia criou foi a necessidade das empresas terem fontes de abastecimento diversificadas, em que os parceiros locais façam parte de uma boa estratégia de compras. Além disso, a fiabilidade do serviço é, cada vez mais, importante. No entanto, sou da opinião de que as empresas continuarão a privilegiar os parceiros mais competitivos, sempre que o grau de fiabilidade seja garantido”, assume Sofia Koehler.


Para a Mendes Gonçalves, que chega hoje a 35 mercados, a estratégia é trazer inovação e sabores que acrescentem valor à oferta tradicional de molhos e temperos, com os olhos postos na sustentabilidade alimentar.
‘Queremos ser uma referência na alimentação do futuro, com rentabilidade e exigência, contribuindo positivamente para as nossas pessoas, a sociedade e meio ambiente’, refere Alexandra de Almeida.

Para a empresária da Colquímica Adhesives, os projetos de internacionalização para serem bem sucedidos devem ‘seguir algumas boas práticas standard’. Sofia Koehler aponta como fatores críticos de sucesso ‘a seleção de uma boa localização, o conhecimento da cultura e estilos de vida locais, a partilha de experiências com outras empresas portuguesas que fizeram o mesmo caminho, a construção de uma equipa forte que seja embaixadora dos valores de empresa, a aposta em boa formação para as equipas locais, do desenvolvimento de uma equipa mista, a seleção de parceiros credíveis, o foco na qualidade e o forte ‘sponsorship’ da administração’.

Sediada em Portugal e com quatro unidades produtivas, duas delas fora de portas, na Polónia e nos Estados Unidos da América, a Colquímca Adhesives dispõe de uma capacidade de produção de 65 mil toneladas de colas industriais por ano e chega a mais de 65 países em todo o mundo.

Aceda aqui ao artigo originalmente publicado na revista Grande Consumo, fev. 2022: